STI NO RADAR VERMELHO DO TCE?
Após auditoria na Saúde,
Tribunal suspende licitação de R$ 4,1 milhões da Rua Coberta
Santa Terezinha de Itaipu
voltou a acender o sinal de alerta nos órgãos de fiscalização.
Depois da recente auditoria
realizada pelo Tribunal de Contas do Paraná na área da Saúde, agora foi a vez
de uma das principais obras anunciadas pela atual gestão sofrer intervenção
direta do TCE.
O Tribunal determinou a
suspensão cautelar da Concorrência Eletrônica nº 05/2026, licitação de
aproximadamente R$ 4,16 milhões destinada à construção da chamada Rua Coberta.
Para quem não acompanha o dia
a dia dos órgãos de controle, vale explicar: o Tribunal de Contas não suspende
uma licitação por mera formalidade ou detalhe burocrático. A medida cautelar é
uma das ferramentas mais severas disponíveis ao órgão quando identifica
indícios de irregularidades capazes de comprometer a legalidade do processo e
gerar prejuízos ao interesse público.
Na decisão, o conselheiro
relator Ivan Bonilha apontou que existem elementos suficientes para justificar
a paralisação imediata da licitação, destacando possíveis inconsistências na
condução do certame, dúvidas sobre a ordem das fases do procedimento, potenciais
prejuízos à competitividade e situações que poderiam ter levado à inabilitação
indevida de empresas participantes.
Um dos pontos que mais chamou
atenção do Tribunal foi o fato de que, entre 11 empresas participantes, apenas
uma única empresa permaneceu habilitada ao final do processo licitatório.
Segundo a própria decisão, essa circunstância reforça a necessidade de aprofundamento
da investigação e análise das regras adotadas pelo Município.
O TCE foi além. Determinou a
notificação do Município, do prefeito Antonio Luiz Bendo e do secretário de
Administração Diego Welter para apresentação de defesa, além de ordenar a
imediata paralisação do procedimento licitatório.
Pouco depois, o Tribunal Pleno
manteve a medida cautelar por unanimidade, homologando a suspensão da
licitação.
O episódio ganha ainda mais
relevância porque não surge de forma isolada.
Nos últimos meses, Santa
Terezinha de Itaipu passou a aparecer com frequência crescente em processos,
representações, denúncias e procedimentos de fiscalização junto aos órgãos de
controle. A recente auditoria do TCE na Saúde, os questionamentos envolvendo
eventos milionários e agora a suspensão de uma obra de mais de R$ 4 milhões
formam um cenário que naturalmente desperta preocupação.
A pergunta que fica é simples:
Estamos diante de casos
pontuais ou de um padrão de gestão que começa a chamar a atenção dos órgãos de
fiscalização do Paraná?
O Tribunal de Contas ainda
analisará o mérito do caso e caberá ao Município apresentar suas
justificativas. Mas um fato é incontestável:
Quando o TCE suspende uma
licitação milionária, o recado institucional é claro: há indícios
suficientemente relevantes para que o processo seja interrompido antes que o
dinheiro público continue sendo comprometido.
E isso, por si só, já deveria
preocupar qualquer cidadão que acompanha os rumos da administração municipal.

