Lei homofóbica “fica no papel”, mas transgêneros sofrem preconceito em competições esportivas em STI
E começamos o mês de fevereiro com as declarações da
ex-secretária municipal de esportes e lazer de STI, Edinéia Rodrigues,
afirmando neste domingo (01/02), em suas redes sociais, que não participaria
das competições de “vôlei de praia” no Terminal Turístico por existirem atletas
“trans” atuando nos jogos e que não concorda com a situação.
As declarações, juntadas ao fato de Edinéia Rodrigues ter
sido uma ex-agente política do governo Antonio Luiz Bendo (BIM) e acompanhar de
perto as atividades da secretaria de esportes, acabaram reacendendo uma
discussão que começou no mês de março de 2025, quando a Câmara Municipal
aprovou o Projeto de lei 12/2025, que “CONSOLIDA O SEXO BIOLÓGICO
COMO CRITÉRIO “EXCLUSIVO NA DEFINIÇÃO DE GÊNERO” NAS COMPETIÇÕES
ESPORTIVAS OFICIAIS, AMADORAS OU PROFISSIONAIS DO MUNICÍPIO DE SANTA TEREZINHA
DE ITAIPU”.
Resumindo a proposta, o referido projeto de autoria do
presidente da Câmara Municipal, Fernando Dal Pont Júnior e que foi sancionado,
virando lei, pelo prefeito Antonio Luiz Bendo (BIM), claramente proíbe a
participação de atletas “transgêneros” em qualquer competição esportiva
municipal.
Na época da tramitação e votação do projeto, ocorreram
inúmeras manifestações contrárias à proposição, fundamentadas inclusive em
decisões do Supremo Tribunal Federal – STF, que considerou o projeto preconceituoso
e que fere a dignidade humana, reconhecendo o direito de se regulamentar as
competições com regras justas e específicas para cada tipo de competição, mas
excluindo qualquer tipo de proibição ou cancelamento de pessoas por sua opção
sexual.
É importante lembrar também que os vereadores de oposição,
Alexandre Pereira, Giselis Viana, Isolde Shaefer e Paulo Rupphental, naquela
oportunidade alertaram sobre a inconstitucionalidade da proposta e inclusive
votaram contra a mesma, destacando além das decisões do STF, também as
orientações da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB.
Na verdade, já tivemos um questionamento da aplicação dessa
lei homofóbica, após a premiação de uma categoria na última edição da “corrida
das cores”, onde também uma atleta considerada “trans” foi vencedora. Esse caso
inclusive teria sido “abafado” pelo paço municipal.
No caso das declarações da ex-secretária Edinéia Rodrigues,
mesmo tendo opinião contrária, somos obrigados a dar razão a ela em certa parte
de sua análise, pois se existe a lei, deve ser cumprida e se o município está
infringindo a própria lei, os envolvidos devem ser responsabilizados.
Por outro lado, o que percebemos em um breve resumo dessa
história, é que o presidente da Câmara Municipal e o prefeito Antonio Luiz
Bendo (BIM), fizeram um tremendo esforço para aprovar essa lei preconceituosa,
homofóbica e transfóbica e agora, percebendo as implicações jurídicas e a
enorme rejeição popular, simplesmente não sabem o que fazer.