Câmara Municipal nova ou “puxadinho da prefeitura”?
Na última notícia do ano, da Câmara de Vereadores de Santa
Terezinha de Itaipu, ocorrida nesta terça-feira (30), vimos o prefeito Antonio
Luiz Bendo (BIM), ao lado do presidente do poder legislativo, Fernando Dal Pont
Júnior e somente os vereadores da base de apoio ao prefeito, comemorando a
devolução de R$ 4.204.598,46, referente às sobras orçamentárias do exercício
financeiro de 2025 da casa legislativa.
Entre os comentários desse acontecimento, percebemos a
curiosidade da população em saber primeiro, os motivos do presidente da câmara,
chamar somente os 5 vereadores de situação para participar da entrega simbólica
dos recursos.
Afinal a câmara municipal não tem 9 vereadores???
O presidente Fernando Dal Pont Júnior, poderia deixar de
evidenciar sua falta de maturidade, ética e independência na condução da câmara
de vereadores, convidando todos os parlamentares para o evento, afinal, ficou
claro que tratava - se de uma ocasião oficial de devolução de recursos e já é
de praxe a mais de 20 anos, a participação de todos os vereadores, independente
de cores partidárias.
Segundo as informações, os recursos deverão ser utilizados
para a construção da nova câmara municipal, que possivelmente será construída
no popular “terreno dos padres”, recentemente adquirido pela prefeitura e que
foi motivo de denúncias de supostas irregularidades, no Tribunal de Contas e
Ministério Público.
Mas o que dizer dessa intenção, se claramente há
questionamentos da população, quanto a real necessidade de uma nova câmara de
vereadores e se isso é realmente prioridade em nosso município?
Afinal, a população e o número de vereadores, são os mesmos
nos últimos 12 anos e o comparecimento do público nas seções, deixa claro que
aquele plenário é o suficiente para suportar muitos anos pela frente.
Fora disso, já comentamos sobre o projeto de revitalização da
câmara municipal, que existe desde 2024, para ser realizado no mesmo imóvel,
proporcionando economia para os cofres públicos.
O que percebemos é o desejo da população, não por um prédio
novo, que certamente custará alguns milhões ao bolso do contribuinte itaipuense,
mas que as prerrogativas de cada poder, fossem respeitadas e levadas em
primeiro plano, como aliás é o previsto na constituição, ou seja, que cada um
atue no seu respectivo quadrado.
Na retrospectiva de 2025, ficou bem claro que a independência
não foi a marca mais saliente dessa atual legislatura, com os vereadores da
base de apoio ao prefeito Antonio Luiz Bendo (BIM), transformando a casa
legislativa em um verdadeiro “puxadinho da prefeitura”.
E isso infelizmente podemos confirmar durante o trabalho
legislativo de 2025, onde a chamada “bancada do amém”, sempre suprimiu as
tentativas de fiscalização do poder executivo, feitas pelos vereadores de oposição.
Aliás, essa atitude de “barrar” qualquer tipo de
fiscalização, fere a dignidade do cargo que carregam a confiança da população e
o dever de bem representá-la. Legislativo forte é um dos pilares da soberania
popular e é isso que esperamos para 2026.
